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Proposta de Trabalho #4

Associamos a expressão Stay Safe, agora muito usada, a uma sensação de, obviamente, segurança e conforto. Dizem-nos que “Vai ficar tudo bem”. Estamos em casa, (aparentemente) protegidos.

No entanto, e por mais irónico que soe, vivemos tempos assustadores. Passamos a cuidar da nossa saúde e higiene de uma maneira diferente. Passamos a ter medo de nos aproximarmos dos outros.

Para além disso, alguns começaram-se a revoltar; alguns começaram a espalhar teorias da conspiração sobre o vírus; alguns começaram a propor preterir a saúde à privacidade. Inventaram-se aplicações que seguem os nossos passos e nos dizem se devemos ou não ficar 14 dias fechados num quarto. Ao entrar num hospital, medem-nos a temperatura, prontamente, com máquinas de tecnologia de ponta. Como quem nos assalta. Como quem tira algo de nós, sem pedir, numa questão de segundos (tal como disse o escritor Gonçalo M. Tavares, no “Diário da Peste” do dia 1 de maio, publicado no jornal Expresso: “Na Índia, numa obra, mede-se a febre antes de se carregar pesos gigantescos. O que parece uma pistola apontada à cabeça é afinal a forma de medir rapidamente a temperatura. Se não tens febre, podes trabalhar doze horas.”)

O objetivo desta proposta era “explorar a tipografia, e os diferentes desenhos da letra, como algo capaz de evocar emoções”. Foi por isso que decidi explorar, no Adobe Illustrator, a outra face da moeda da expressão Stay Safe.

Fruto de uma pesquisa online, encontrei, num artigo do Jornal Notícias, a fotografia que serve de fundo. Havia outras opções, nomeadamente com o medidor de temperatura a apontar para a cabeça de pessoas, como uma arma aponta o seu laser vermelho à testa das vítimas; no entanto, decidi optar por esta, visto que passa imediatamente a mensagem que pretendo - é intimidante e assustadora, o fundo negro serve de excelente contraste e é a única fotografia em que quem a vê se sente na posição de doente.

Comecei por escrever a expressão na fonte Shlop-Regular, que instalei gratuitamente. No entanto, concluí que era muito infantil e passava uma imagem de terror e sangue exagerada. Era demasiado preenchida e “gorda”. Na aula, a professora propôs inspirar-me no vídeo de introdução da série Killing Eve. E assim o fiz. A fonte mais similar que encontrei foi a Gobold High. De modo a que as parecenças fossem ainda mais notórias, apostei em dispor as palavras mais em altura do que em largura, pretendia que as letras fossem finas – para tal, usei o efeito “Transformar”, alterando a vertical para 90% e movendo igualmente na vertical 5mm.

Escolhi a cor vermelha por contrastar com o fundo preto e por estar associada a uma sensação de insegurança e alarme, como se tivéssemos mesmo febre.

E como o fundo é preto, necessitava de algo para salientar melhor a expressão, de modo a que não se perdesse no fundo. Assim, adicionei uma sombra preta com uma opacidade de 75%. 

Para além disso, com o intuito de reforçar a minha ideia, acrescentei à composição três riscas vermelhas, na parte superior, simulando sangue a escorrer. Como toque final, esse “sangue” escorre para a letra “A” da palavra Safe.





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