Associamos a expressão Stay Safe , agora muito usada, a uma sensação de, obviamente, segurança e conforto. Dizem-nos que “Vai ficar tudo bem”. Estamos em casa, (aparentemente) protegidos. No entanto, e por mais irónico que soe, vivemos tempos assustadores. Passamos a cuidar da nossa saúde e higiene de uma maneira diferente. Passamos a ter medo de nos aproximarmos dos outros. Para além disso, alguns começaram-se a revoltar; alguns começaram a espalhar teorias da conspiração sobre o vírus; alguns começaram a propor preterir a saúde à privacidade. Inventaram-se aplicações que seguem os nossos passos e nos dizem se devemos ou não ficar 14 dias fechados num quarto. Ao entrar num hospital, medem-nos a temperatura, prontamente, com máquinas de tecnologia de ponta. Como quem nos assalta. Como quem tira algo de nós, sem pedir, numa questão de segundos (tal como disse o escritor Gonçalo M. Tavares, no “Diário da Peste” do dia 1 de maio, publicado no jornal Expresso : “Na Índia, numa obra, mede-s...
Na proposta de trabalho 3, denominada DCV@home , o objetivo era a criação de uma imagem fotográfica que representasse a quarentena e/ou o auto-isolamento motivados pela pandemia da COVID-19, desenvolvendo assim a capacidade de “entender o papel da fotografia no design para a comunicação de uma dada mensagem.”. Após deambular pela casa (como todos temos feito) em busca da melhor fotografia, encontrei esta nau portuguesa dentro de uma garrafa de vidro. Este objecto representa a situação atual. Aliás, é até uma imagem de esperança, pois a nau, um símbolo de desenvolvimento e progresso, está em standby, a aguardar por melhores tempos, e protegida pela garrafa, estando a rolha que a tapa ao alcance de todos para ser removida. Este cenário é universal – tanto se aplica aos pequenos percalços do quotidiano de cada um como à conjuntura da economia mundial.